Atividades matemáticas na educação infantil

Os professores que trabalham com crianças pequenas estão constantemente à procura de sugestões de atividades lúdicas que possam ser aplicadas na educação infantil e, em se tratando de matemática, que venham aos encontro dos objetivos e conteúdos  estabelecidos para essa faixa etária.

Para fugir das atividades rotineiras, que tal organizar brincadeiras a partir de histórias ou músicas? É sobre isso que trata esse artigo!

As propostas pedagógicas dos docentes da educação infantil, de forma geral, contemplam práticas que envolvem noções de espaço, tempo, grandezas, medidas, contagem, relações quantitativas, dentre outras. Mesmo pequenas, as crianças já lidam com situações que envolvem essas noções matemáticas a partir de suas experiências pessoais. Numa brincadeira com um amiguinho, por exemplo, pode ser necessário repartir balas ou figurinhas ou, então, descobrir quem ganhou mais moedas em um jogo!

Todavia, é muito importante estruturar os conhecimentos adquiridos pelas crianças, a partir das experiências vividas, e ampliá-los. Quanto mais ricas as oportunidades de interação com o meio e com os colegas, maior é a construção de conceitos e procedimentos matemáticos.

Para que isso ocorra, é preciso que o professor organize e planeje atividades de matemática condizentes com a faixa etária e maturidade das crianças. É necessário, também, que o educador tenha conhecimento e clareza dos objetivos do ensino da matemática na educação infantil e quais conteúdos devem ser desenvolvidos.

De acordo com o referencial curricular nacional, de uma forma geral, com relação ao ensino da matemática, objetiva-se que criança seja capaz de: reconhecer e valorizar os números, as operações, as contagens orais e as noções espaciais; comunicar ideias, hipóteses e processos utilizados na resolução de situações-problema; ter confiança em suas próprias estratégias para lidar com situações novas.

Os conteúdos matemáticos, por sua vez, estão organizados em três blocos: “números e sistema de numeração”, “grandezas e medidas”, “espaço e forma”.

O bloco “número e sistema de numeração” envolve notação e escrita numérica, contagem e operações. Em “grandezas e medidas” exploram-se procedimentos para comparar grandezas e introduzir noções de medida. No bloco “espaço e forma” abordam-se propriedades geométricas de objetos e experiências com orientação e deslocamentos.

Os professores, em geral, organizam inúmeras atividades que vão ao encontro dos objetivos e dos conteúdos matemáticos a serem trabalhados na educação infantil. Porém, como enfatizei no inicio desse artigo, sempre há uma busca por algo diferente, tais como, jogos ou brincadeiras que possam ser explorados a partir de músicas, histórias ou outros recursos.

Tendo em mente o exposto, vou descrever duas atividades bem interessantes, que envolvem materiais simples e que podem ser aplicadas para crianças de 4 a 6 anos. A primeira é baseada na cantiga “A dona aranha” e, a segunda, na história do livro “Anão e gigante”, de Nilson José Machado, editora Ática.

Jogo das Aranhas

Para o “Jogo das Aranhas”, primeiramente é necessário confeccionar, para cada grupo de três ou quatro crianças,  o seguinte material: 6 cartões com imagens de aranhas em tamanhos diferentes (modelo), uma tira de cartolina dividida em seis partes (modelo), um punhado de moedas plásticas ou tampinhas, uma bandeja.

Para a turma toda também são necessários dois dados: dado A (   , ...) e dado B (1, 2, chuva), conforme modelo que segue abaixo.

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Inicialmente o professor entoa (ou ensina) a cantiga da Dona Aranha para a turma:

MÚSICA
A dona aranha subiu pela parede
Veio a chuva forte e a derrubou
Já passou a chuva
O sol já está surgindo
E a dona aranha
Continua a subir
Ela é teimosa e desobediente
Sobe, sobe, sobe, nunca está contente.

Depois, organiza as crianças em uma grande rodinha em que todos ficam sentados no chão. Cada trio ou quarteto recebe os cartões, a tira, as moedas e a bandeja e, primeiramente, os grupinhos exploram esse material.

Em seguida, o professor propõe as seguintes atividades:

1) Organizar os cartões das aranhas na tira, em ordem crescente.
2) Organizar os cartões das aranhas na tira, em ordem decrescente

À medida em que são propostas as tarefas (1) e (2), o professor questiona sobre a posição de cada cartão na tira. É importante que as crianças saibam explicar os motivos que as fizeram colocar os cartões na sequência estabelecida e troquem ideias com os colegas.

3) Tomar tantas moedas quanto cartões para fazer um jogo.

As crianças receberam um punhado de moedas e devem descobrir qual a quantidade  necessária para realizar um jogo, visto que “cada cartão vale uma moeda”. Ao invés de dar 6 moedas para cada grupo, o educador solicita que o grupo descubra o tanto de moedas a serem utilizadas. Essa descoberta pode ser feita através da contagem, da comparação e/ou da correspondência termo a termo.

4) Jogo de comprar as aranhas.

O grupo coloca suas aranhas em uma bandeja e as moedas sobre os espaços da tira (uma moeda para cada espaço). O professor define como será a colocação das aranhas na tira: em ordem crescente ou decrescente.

O primeiro grupo a jogar recebe o dado A e lança-o para descobrir quantas aranhas serão compradas. Esse dado indica “nenhuma aranha” (face em branco), 1 aranha ou 2 aranhas.

Vamos supor que foi estabelecida a ordem crescente para as aranhas. Se o dado sortear 1, então a menor aranha deverá ser colocada no primeiro espaço da tira. O cartão dessa aranha será trocado pela moeda e a moeda será guardada na bandeja. Caso o dado sorteie o número 2, então as duas primeiras aranhas deverão ser “compradas”, ou seja, trocadas cada qual por uma moeda e dispostas na tira. Se o dado sortear a face em branco, nenhuma aranha será “comprada”.

O primeiro grupo passa o dado para o grupo seguinte, que faz o mesmo e, assim, prossegue o jogo. Se, ao final, uma equipe precisar apenas de 1 aranha para completar a tira e o dado sortear 2, ela deverá passar a vez. Será vencedora a equipe que primeiro completar sua tira com as aranhas.

5) Um desenho do jogo
Após algumas jogadas as crianças são desafiadas a desenhar como ficou a tira no final do jogo e registrar a quantidade de aranhas do jogo. Essa tarefa busca o olhar da criança sobre o jogo, quais suas percepções, o que foi significativo para ela.

É interessante observar que os desenhos vão sendo enriquecidos de detalhes na medida em que são solicitados em diferentes oportunidades. Quanto mais familiar é o jogo, seus elementos e suas regras, mais apta a criança se torna em registrá-lo.

O registro da quantidade poderá ser feito de diferentes formas: através do numeral, de risquinhos, bolinhas, etc.

5) Jogo da chuva

O jogo é feito em grupos e com o mesmo material da atividade anterior, exceto as moedas e o dado A que, agora, será substituído pelo dado B. O objetivo é completar a trilha com aranhas, que serão tomadas em ordem decrescente de tamanho.

O jogo inicia com a tira vazia e as aranhas colocadas na bandeja. Uma criança de cada equipe, na sua vez, lança o dado para determinar quantas aranhas serão tomadas e posicionadas na tira. Quando, porém, o dado sortear “chuva”, todas as aranhas da tira devem ser retiradas e recolocadas na bandeja para que o jogo recomece. Vence a equipe que primeiro completar a tira com as aranhas.

Tal como diz a música, “veio a chuva forte e a derrubou”, as aranhas são “derrubadas” da tira quando cair “chuva” no dado. Essa atividade, assim como as anteriores, solicita da equipe a constante seriação das aranhas na tira.

A seriação é a ordenação dos elementos de acordo com algum critério como, comprimento, altura, largura, grau de aspereza, etc. Nesse caso, a ordenação se dá por tamanho.

6) Um texto sobre o jogo

Após as crianças terem domínio do jogo pode-se propor que, juntas, criem um texto que relate como era o jogo, seus materiais e suas regras. O professor registra o texto no quadro e, depois, disponibiliza-o para a turma.

Atividades de criação coletiva de textos vão criando alicerces para a construção da escrita e colocam os pequenos em contato com as peculiaridades e elementos que caracterizam essa forma de comunicação.

Anão e gigante

Primeiramente, o professor lê para a turma a história do livro “Anão e Gigante”, de Nilson José Machado,  editora Ática, que fala sobre as situações que provocam sentimentos opostos e que nos fazem sentir pequenos como anões ou grandes como gigantes.

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Depois, propõe o que segue:

1) Exploração da história

São feitos alguns questionamento à turma, buscando resgatar elementos da história e provocar reflexões a respeito do tema:

– Quando você se sente gigante?
– Quando você se sente anão?
– Quais as características de um gigante? E de um anão?
– Quais as vantagens e desvantagens em ser gigante?
– Quais as vantagens e desvantagens em ser anão?

2) Exploração do corpo

a)  Cada criança contorna sua mão em uma folha de papel e pinta o dedo maior de vermelho e o menor de azul.
b) Cada  criança compara sua mão com a de outro colega e descobre quem tem a mão maior. Depois, contorna em uma folha a sua mão e, também, a mão do colega identificando, de alguma forma, as duas mãos.
c) Em duplas, uma criança contorna o pé da outra (em folhas separadas). Cada uma identifica seu pé. Depois, todos os pés são organizados em dois grupos: os grandes e os pequenos.

3) O pulo do anão e do gigante

As crianças são organizadas em uma fila e devem pular a maior distância que conseguirem, a partir de uma linha demarcada no chão. O professor, com o auxílio de um barbante, marca a distância que cada uma pulou. Depois, as crianças, podem medir o barbante com palmos, com pés e, depois, com a fita métrica. É estabelecida uma discussão na turma sobre qual das três unidades de medida é a melhor para encontrar o comprimento do barbante. Os barbantes são organizados em um painel em ordem decrescente de comprimento.

4) Jogo “Anão e Gigante”

Esse jogo deve ser feito no pátio da escola e o único material necessário é um instrumento musical, que pode ser um pianinho, uma gaitinha ou uma escaleta. É uma brincadeira de perseguição, que estimula a criação de estratégias de perseguição ou fuga, que, por sua vez, auxiliam  no desenvolvimento de  habilidades de raciocínio espacial.

São feitas três linhas com giz no chão, tal como mostra o desenho que segue. Uma linha vai delimitar o bando dos anões, a outra o bando dos gigantes e a terceira fica centralizada entre as duas.

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A turma é dividida em dois grupos, anões e gigantes, com igual quantidade de elementos, que devem, inicialmente, estar posicionados em seus bandos.

Os gigantes partem de seu bando e caminham em direção à linha central, ao mesmo tempo em que falam com voz bem grossa: “voz de gigante é grave”. Ao cessar a fala dos gigantes, cessa também a caminhada e eles permanecem nesse novo lugar. Os anões fazem o mesmo, caminham em direção à linha central, ao mesmo tempo em que falam com voz bem fininha: “voz de anão é aguda”. Na sequência, os gigantes retomam a caminhada em direção ao centro enquanto falam: “gigante fala grosso” interrompendo a caminhada ao atingir a linha central. Os anões, por sua vez, também caminham para o centro e respondem: “anão fala fininho”.

Neste momento, os dois grupos devem estar, um de frente ao outro, nas proximidades da linha central. O professor, então, toca uma nota musical em um pianinho: se o som for grosso (grave), os gigantes devem perseguir e pegar os anões; os anões, por sua vez, devem fugir para seu bando. Caso o som seja fino (agudo), são os gigantes que fogem para seu bando e os anões os perseguem e tentam capturá-los. Os alunos que são apanhados antes chegar no bando passam a compor o grupo adversário e recomeça nova rodada.

Ganha o grupo que conseguir ficar com maior quantidade de componentes após um número previamente estipulado de rodadas.

Algumas noções matemáticas envolvidas nessa proposta são:  espaço, tempo, distância, velocidade, direção, sentido, contagem, comparação de quantidades, localização, adição e subtração.

5) Um desenho do jogo

As crianças são desafiadas a registar o jogo. No registro ficará claro para o professor os elementos do jogo foram mais significativos e as noções espaciais.

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