Jogo dos pingos

Se você gosta de propor jogos matemáticos para as crianças da educação infantil, está no lugar certo!

A matemática pode encantar as crianças se nós, educadores, soubermos utilizar diferentes metodologias e estratégias de ensino que despertem nos pequenos o gosto de descobrir e de aprender matemática.

E devemos fazer isso desde cedo, porque as ricas e positivas experiências da infância serão a mola propulsora para uma aprendizagem matemática significativa e de sucesso no futuro.

Nada melhor do que aliar a literatura infantil à matemática para tornar a aprendizagem mais interessante e significativa. O enredo e os personagens das histórias podem promover conexões entre a linguagem e o raciocínio lógico-matemático, trazendo alegria, prazer e ludicidade ao ambiente da sala de aula.

Há uma infinidade de livros de literatura que, com suas histórias encantadoras, podem ser explorados no sentido provocar pensamentos matemáticos e desenvolver processos mentais básicos para a aprendizagem. Os livros de literatura infantil dos Pingos estão nesta lista. Bastante conhecidos dos professores e, também, das crianças, as belas histórias desses ratinhos, escritas por Mary e Eliardo França, fascinam os pequenos e os fazem sonhar.

Sendo assim, vamos aproveitar para unir a literatura à matemática propondo aos pequenos jogos divertidos e prazerosos.

Vou descrever, abaixo, algumas atividades e jogos que elaborei a partir do livro “Os Pingos e a Chuva“. É importante salientar que a inspiração para tais criações veio do obra “Educação Matemática e a Construção do Número pela Criança”, escrito por Ana Cristina S. Rangel.

 

Com a aplicação dessas atividades é possível explorar a quantificação numérica, comparação de coleções, classificações, formação de sequências, conservação de quantidades, análise e síntese, dentre outras habilidades.

 

Material para os jogos

Para cada grupo de 3 ou 4 crianças é necessário providenciar:

  • Conjunto com pingos, cestos e peixes (modelo):  2 pingos vermelhos, 2 pingos amarelos, 2 pingos azuis – cada cor nos tamanhos grande e pequeno; 2 cestos vermelhos, 2 cestos amarelos, 2 cestos azuis – cada cor nos tamanhos grande e pequeno; 2 peixes vermelhos, 2 peixes amarelos, 2 peixes azuis – cada cor nos tamanhos grande e pequeno.
  • Cartões dos atributos (modelo): pequeno, grande, pingo, cesto, peixe, azul, amarelo, vermelho.
  • Canetinhas
  • 8 quadrados de cartolina de 5 cm de lado
  • 3 bandejas
  • Material de contagem
  • Dado (·, ··, ·, ··, ·, ··)
  • Dados de formas (pingo, cesto, peixe).
  • Dado de tamanhos (pequeno, grande)
  • Dado de cores (vermelho, amarelo, azul)

Para cada criança (dobradura):

  • Quadrado de papel de 5 cm de lado
  • Círculo de papel de 8 cm de diâmetro
  • cola, tesoura, pedaço de fio de lã
  • canetinhas

 

Para obter as imagens dos pingos cestas e peixes e confeccionar este jogo, faça download aqui.

1) Classificações e sequências

As crianças organizam-se em grupos e recebem o conjunto de peças (pingos, cestos e peixes) e as bandejas. O professor solicita que cada grupo:

  • manuseie as peças e descubra características das mesmas;
  • verifique se há o mesmo número de pingos, cestos e peixes (estabelecer a correspondência entre os elementos);
  • separe as peças nas bandejas segundo algum critério (cor, forma ou tamanho);
  • faça filas com o material obedecendo determinada sequência como, por exemplo, pingo-cesto-peixe ou grande-pequeno-grande-pequeno ou peça amarela-peça vermelha-peça azul, etc.

Na classificação das peças, Rangel sugere que o professor questione da seguinte forma: “Como podemos separar este material juntando as peças que combinam?” ou “Como separar o material juntando as peças que se parecem?” A explicação oral de como cada grupo pensou deve ser estimulada pelo professor.

Caso alguns grupos não consigam classificar por cor, forma ou tamanho, uma alternativa é sugerir que imitem o grupo A ou B que teve êxito na atividade.

 

2) Conservação de quantidades

O professor organiza uma fila de pingos e outra de cestos com o auxílio dos alunos, estabelecendo uma correspondência termo a termo.

A seguir, espaça mais os elementos de uma das filas e questiona em qual fila há mais elementos. Faz o mesmo com outras peças.

A conservação da quantidade refere-se à percepção de que a quantidade não depende da arrumação, forma ou disposição espacial dos objetos. As crianças que não são conservativas confundem-se com o tamanho das fileiras e pensam que a fila dos cestos, neste caso, tem mais elementos porque é mais comprida. Questionar a criança, provocar discussões na sala de aula, promover comparações entre coleções utilizando a correspondência termo a termo com diferentes materiais e em momentos diversos auxiliam na aquisição da maturidade do pensamento.

 

3) Análise das peças

O professor mostra os cartões para a turma e promove uma discussão sobre o significado de cada um. Depois, combina que, ao mostrar um cartão, cada criança do grupo deverá erguer uma peça que combine com o mesmo.

 

4) Elaboração das cartinhas dos atributos

Cada grupo, de posse das peças (pingos, cestos e peixes) e das três bandejas é convidado a separar os elementos pela cor, nas bandejas, e a elaborar cartinhas que representem as cores. Para isso, irá utilizar os quadrados de cartolina e as canetinhas.

Em seguida, é feito o mesmo com as formas e os tamanhos.

5) Jogo: Eu tenho mais

Material: conjunto de peças (pingos, cestos e peixes), bandejas, cartinhas, material de contagem.

O professor solicita que as crianças misturem as 18 peças (pingos, cestos e peixes) e repartam-nas aleatoriamente entre os elementos do grupo de modo que cada um fique com a mesma quantidade. Cada criança guarda as suas peças em uma bandeja; as cartinhas ficam embaralhadas, empilhadas e viradas para baixo sobre a mesa.

A primeira criança a jogar desvira uma cartinha da pilha e diz em voz alta o atributo que a mesma representa. Todos os componentes do grupo devem retirar de suas bandejas as peças que correspondem ao atributo indicado na cartinha, colocando-as sobre a mesa. Aquele que possuir o maior número de peças do atributo sorteado vence a rodada e faz um ponto, que é marcado com o material de contagem (tampinha, moeda, etc.). Em caso de empate, haverá mais de um vencedor.

Por exemplo, se a cartinha tomada for o “Pingo”, então os componentes do grupo devem retirar da bandeja (e deixar próximo dela) todos os pingos que tiverem, independentemente da cor e do tamanho. Aquele que tiver maior quantidade de pingos é o vencedor da rodada.

As peças retiradas da bandeja são recolocadas de volta (na mesma bandeja de onde foram retiradas) e nova rodada é iniciada com outra criança a desvirar uma cartinha. As cartinhas tomadas (desviradas) são deixadas de lado e não retornam mais ao jogo.

No final de oito rodadas, as crianças verificam quem conseguiu obter o maior número de vitórias.

O professor pode propor um relatório onde os alunos registram o número de vitórias, como eram suas peças e quantas peças possuíam para jogar.

 

6) Jogo da Memória

Material: cartinhas, peças, uma bandeja

Deixa-se as cartinhas viradas para baixo sobre a mesa, embaralhadas em filas de 3 em 3. Todas as peças (pingos, cestos e peixes) são colocadas dentro de uma bandeja.

Cada criança, na sua vez, escolhe uma peça da bandeja, retira-a e diz seus atributos. Em seguida, levanta uma cartinha; se esta corresponder a um dos atributos, ela pode levantar outra e, se essa também corresponder, levanta uma terceira cartinha.

Se as três cartinhas corresponderem à peça sorteada, a criança marca um ponto e fica com a peça; caso contrário, as cartinhas voltam para a mesa e a peça para a bandeja. O próximo jogador pode escolher a mesma peça, caso esta tenha retornado à bandeja, ou outra qualquer.

Ganha aquele que, ao final de cinco ou seis rodadas, tiver conquistado maior número de peças.

Após o jogo, pode-se propor  que as crianças escolham três peças e as desenhem no caderno, juntamente com o desenho (ou colagem) das cartinhas que combinam com as mesmas.

 

7) Jogo dos dados

Material: peças (pingos, cestos e peixes), dados, bandejas

O professor apresenta aos grupos dois dados, de quantidades e cores, por exemplo, e questiona: “Como podemos inventar um jogo com estes três dados e as peças?”

Juntamente com as crianças elabora um jogo em que cada uma, na sua vez, lança os dados e retira do conjunto de peças aquela que corresponder aos atributos sorteados. As peças que cada um retirar (ganhar)  são guardadas em uma bandeja.

Se, durante o jogo, os dados sortearem 2 pingos, por exemplo, e não houver esta quantidade de pingos para serem retirados, então o jogador passa a vez.

Vence quem obtiver o maior número de peças em 7 ou 8 rodadas.

Como atividade após o jogo, pode-se apresentar imagens de determinadas faces do(s) dado(s) para que os alunos desenhem e pintem uma ou duas peças que combinem com o(s) mesmo(s).

Repete-se a atividade com diferentes duplas de dados, tais como: quantidades e formas, quantidades e tamanhos, cores e formas, …, ou com três dados (forma, cor e tamanho).

 

8) Dobradura

Material: especificado anteriormente

Com o quadrado, o círculo, e a lã o professor orienta a dobradura de um ratinho da seguinte forma:

a) dobrar o círculo ao meio;

b) dobrar o quadrado ao meio formando dois triângulos;

c) dobrar uma das orelhas do ratinho  e desenhar os detalhes do rosto (ver imagem);

d) colar as partes do corpo do ratinho e o fio de lã (rabinho).

Durante a dobradura, o professor explora as características das figuras geométricas quadrado, triângulo e círculo.

Referências:

FRANÇA, Mary; FRANÇA, Eliardo. Os Pingos e a Chuva. Global Editora

RANGEL, Ana Cristina S. Educação matemática e a construção do número pela crianças: uma experiência em diferentes contextos sócio-econômicos. Porto Alegre: Artmed, 1992.

Uma opinião sobre “Jogo dos pingos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *